Uzyna Uzona & a arte da sobre-vivência.

Em 2011 eu tive meu primeiro contato físico com o Teatro Oficina Uzyna Uzona. Bem físico, eu diria rs... Mas não era a primeira vez que ouvia sobre o coletivo, afinal, sua história não é pouca. 

Fundado em 1958 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, por Amir Haddad, José Celso Martinez Correa e Carlos Queiroz Telles, atualmente liderado por Zé Celso, o Teatro Oficina teve sua primeira sede (em palco sanduíche) incendiada em maio de 1966 e {corta cena} em 1993 foi inaugurado o espaço que até hoje recebe apresentações e um público BEM entusiasta, considerado em 2015, pelo jornal The Guardian, como o melhor teatro do mundo na categoria projeto arquitetônico, com assinatura de Lina Bo Bardi. O lugar com a icônica roda gigante fica localizado no Bixiga, SP. 

Pra quem aprecia teatro (e mesmo pra quem não aprecia), pisar na casa é emocionante. Desde sua primeira apresentação à última (por enquanto), o grupo encena textos-roteiros que encapsulam o público por horas (literalmente) em questionamentos e alucinações. São políticas, des.censurardas, permissivas, participativas, ativas, críticas, questionadoras, sociais, descaradas & bonitas. 

E apesar da arte ser aquilo que ultrapassa décadas, séculos, eras e ser o que permanece como contador da história, é também o primeiro segmento a ser atingido e o último a ser recuperado, mesmo que contemos com todas as forças naturais e sobrenaturais dos artistas. 

Devido a pandemia e a especulação imobiliária, o Teatro Oficina precisou desocupar a casa-galpão-de produção também no bairro do Bixiga; espaço abrigado por 15 anos pela Cia e guardador de, entre tantas coisas, figurinos com 62 anos de trajetória; nesse caos, tudo foi realocado ao teatro. Mas havemos de acatar que cada espaço é um espaço e cada qual conta com suas devidas necessidades. Quem conhece o projeto do Uzyna Uzona, sabe que o camarim se funde ao palco e às entradas e aos tantos andares de público: um acervo não devia estar exposto dessa forma, mesmo que nesse momento não haja público. É tudo questão de ordem. E progresso. 

Nas palavras do que é divulgado pelo grupo "ACERVO DESPEJADO: material gráfico y audiovisual de peças, fitas cassetes, registros históricos, documentos, cartazes-relíquias de montagens, figurinos… entre outras preciosidades, como obras de arte de Surubim Feliciano da Paixão, que já foram expostas no Memorial da Resistência (da Pinacoteca); peças de roupa de Lina Bo Bardi, doadas por sua irmã Graziela; materiais de espetáculos, roteiros, cadernos de artistas da cia, cadernos de Zé. todo esse acervo está AGORA em situação precária e sem perspectivas de cuidado, preservação y o restauro necessários - restauro pelo qual muitas peças, material audiovisual y documentos já precisavam passar y no entanto até hoje não tivemos condições financeiras pra isso. grande parte da história do Teat(r)o Oficina, que é também a história de reexistência do teatro nacional, da cultura y da arte nacional, está ameaçada."

Por isso, pela qualidade histórica da Cia, pelos ensaios & gritos todos que vieram e aos que virão, apoiemos o que é representação da liberdade artística, sexual, pessoal, política(-pública): o Teatro Oficina. 

Os espetáculos estão disponibilizadas pelo youtube TV UZYNA {https://www.youtube.com/uzonauzyna}, o coletivo alimenta um Podcast "Radio Uzona" e, com a casa fechada, seguem solicitando apoios financeiros que podem ser feitos de várias formas: doações espontâneas, ingressos solidários e benfeitoria permanente. 

Eu que, aos 14 anos sonhava em um dia ir à São Paulo pra ser parte desse time, hoje aos 27 me sinto na obrigação de perpetuar  desejos adolescentes que ainda latejam, e sigo sendo parte do público fervoroso que senta por quatro, cinco horas e quando acaba, não quer ir embora, assistindo até o último personagem sair de cena - Zé Celso rodeado por todos seus queridos e fãs.

Meu ingresso já está garantido nessa construção de (r)existência teatral, garante lá a sua participação na história: https://linktr.ee/oficinauzynauzona.


Macumba Antropófaga, 2011 - Paraty, RJ.


EVOÉ!







Comentários

  1. Vi uma pesquisa que divulgou que boa parte da população não gosta de arte e cultura no país e apenas algumas pessoas entrevistadas através de um formulário acreditam que as opções de cultura sejam boas. Muitos afirmam que o maior motivo para não consumir cultura seria a falta de hábito. Outro motivo seria a falta de recursos financeiros, falta de interesse e tmb falta de incentivo. Fica difícil tmb com governo que não apoia mto a arte. Que bom, Brisa, que a senhorita valoriza tudo isso. Parabéns!!

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