Hum mil e duzentos reais.
O ano é 2020, vivemos numa pandemia mundial descompassada
enquanto o presidente do Brasil não poderia ser alguém menos comprometido ou
preparado para o cargo. Levando em consideração esse espaço, afirmo com toda
certeza que meu filho gestaria melhor o país nesse momento (ou #AnittaparaPresidente).
Decorrente disso (ou tendo isso como reflexo, não sei bem), nossa sociedade é
absolutamente ignorante e equivocada, de modo geral sobre termos gerais.
Por exemplo (e disso discorrerei um tanto), hoje fui ao mercado e na esquina de casa ouvi um senhor dizer alto “Mas não é uma sem vergonhice uma mulher receber R$1200,00 pra não trabalhar? E ainda o bolsa-família? Só porque tem três filhos acha que pode receber mais...” Esse senhor, na porta do bar meia porta, sem máscara nem luva, bebendo sua cerveja tranquilamente na pracinha, opinava em alto e bom tom sobre o auxilio emergencial e sobre o “não-trabalho” que uma mãe de três filhos executa.
Pois bem, tenho várias aspas e colocações acerca de várias questões que surgirão, mas em síntese gostaria de lembrar algumas coisas à todos que concordam com esse senhor tão opinativo e nada prudente (inclusive se esse valor fosse de pensão – hahaha, quem dera, né meninas – e não enquanto direito do trabalhador em situação calamitosa):
1) ser mãe é um trabalho, pasmem. VOCÊ SABIA que uma mulher mãe trabalha em média 26h semanais A MAIS que uma trabalhadora não mãe? Isso significa 4,3h a mais por dia por 6 dias na semana. MÉDIA. Sabemos que a realidade é bem mais, convenhamos.
2) Mas vou discorrer esses serviços pra ficar ainda mais claro:
2.1 – Babá: o salário médio de uma babá no Brasil é bastante variável, mas de acordo com o menor número que encontrei em pesquisas (R$9,23/hora sem dormir no local de trabalho), considerando uma mãe sendo babá por 16h/dia, o salário dessa mãe enquanto cuidadora da criança devia ser de R$4430,40 ao mês (cá estou descontado as 08h trabalhadas fora de casa);
2.2 – Serviços gerais: levando em conta o teto salarial de uma doméstica com carteira assinada, uma mãe que trabalhasse “apenas” 08h/dia receberia R$2201,72 ao mês (com direito à folga semanal).
3) Mães estão, socialmente imposto, à disposição da criança mesmo quando não estão com a criança. Eu já passei por situações em que:
3.1 – não tive direito à vaga profissional por ter um filho e ser mãe solo;
3.2 – fui questionada sobre onde estaria meu filho enquanto eu estava no mercado;
3.3 – fui questionada sobre como educo meu filho enquanto meu filho chorava de cansaço;
3.4 – fui criticada por sair com meu filho e ir à um evento;
3.5 – fui criticada porque deixei meu filho em casa e fui à um evento;
3.6 – fui criticada porque não pude ir à reunião de pais já que estava trabalhando;
3.7 – fui questionada sobre minhas finanças e responsabilidade econômica destinada ao meu filho enquanto comprava roupas.
Eu poderia, muito sinceramente, continuar essa listagem por longas horas qualificando a minha desvantagem social, profissional e amante ao dizer que sou mãe. Mas o foco aqui é o auxilio emergencial, deixarei meus romances pra um próximo desabafo.
Voltemos: R$6632,12.
Esse é o valor bem por baixo que uma mãe deveria receber SE ela recebesse por suas funções básicas e superficiais.
Também houveram estudos comprovando que o cérebro de uma mãe com filho autista equivale ao estado de alerta do cérebro de um soldado em guerra. Não desqualificando (jamais, jamais) o trabalho sobrenatural da mãe de um autista, mas quem fez esse estudo tinha filho? Porque a sensação de uma mãe é, de fato, de estar em alerta 24h/dia – e quanto mais saudável é a criança, mais agitada ela é – estudos meus, fonte eu.
Desde a primeira linha desse texto eu já: levantei pra pegar leite e biscoito, depois água e maçã, parei pra responder porquê as galinhas d’angola dizem ‘to fraco’, parei pra olhar o desenho e driblar a minha não compreensão do que estava desenhado, parei pra ver o que estava escrito no jogo do celular, parei para ajudar ir ao banheiro e por fim, parei para cuidar de uma cabeça que tinha ido de encontro ao chão – nenhuma dessas interrupções seriam necessárias se eu não fosse mãe, veja bem, sequer a água era uma necessidade do meu corpo.
Meu trabalho além de mãe, que é escrever (ou qualquer outra atividade que eu esteja executado) está sempre em sempre atrasado uma média de três vidas.
Esse texto não é uma reclamação sobre meu filho e não deve ser utilizado retalhadamente afim de justificar qualquer atrocidade; "amo meu filho, odeio ser mãe", sabe?! É por ai, estamos todas cansadas.
Não é incalculável pagar os serviços de uma mãe, só seria exorbitante pôr em números o que mereceríamos receber por nossos serviços básicos. Não pus em conta todas as atrocidades que enfrentamos no dia a dia, nem questionei como esses profissionais (babá e serviços gerais) recebem pouco. Não está em pauta também que mães não têm férias ou feriados. Tão pouco está em questão que os benefícios não são acumulativos (auxilio e bolsa família).
Por exemplo (e disso discorrerei um tanto), hoje fui ao mercado e na esquina de casa ouvi um senhor dizer alto “Mas não é uma sem vergonhice uma mulher receber R$1200,00 pra não trabalhar? E ainda o bolsa-família? Só porque tem três filhos acha que pode receber mais...” Esse senhor, na porta do bar meia porta, sem máscara nem luva, bebendo sua cerveja tranquilamente na pracinha, opinava em alto e bom tom sobre o auxilio emergencial e sobre o “não-trabalho” que uma mãe de três filhos executa.
Pois bem, tenho várias aspas e colocações acerca de várias questões que surgirão, mas em síntese gostaria de lembrar algumas coisas à todos que concordam com esse senhor tão opinativo e nada prudente (inclusive se esse valor fosse de pensão – hahaha, quem dera, né meninas – e não enquanto direito do trabalhador em situação calamitosa):
1) ser mãe é um trabalho, pasmem. VOCÊ SABIA que uma mulher mãe trabalha em média 26h semanais A MAIS que uma trabalhadora não mãe? Isso significa 4,3h a mais por dia por 6 dias na semana. MÉDIA. Sabemos que a realidade é bem mais, convenhamos.
2) Mas vou discorrer esses serviços pra ficar ainda mais claro:
2.1 – Babá: o salário médio de uma babá no Brasil é bastante variável, mas de acordo com o menor número que encontrei em pesquisas (R$9,23/hora sem dormir no local de trabalho), considerando uma mãe sendo babá por 16h/dia, o salário dessa mãe enquanto cuidadora da criança devia ser de R$4430,40 ao mês (cá estou descontado as 08h trabalhadas fora de casa);
2.2 – Serviços gerais: levando em conta o teto salarial de uma doméstica com carteira assinada, uma mãe que trabalhasse “apenas” 08h/dia receberia R$2201,72 ao mês (com direito à folga semanal).
3) Mães estão, socialmente imposto, à disposição da criança mesmo quando não estão com a criança. Eu já passei por situações em que:
3.1 – não tive direito à vaga profissional por ter um filho e ser mãe solo;
3.2 – fui questionada sobre onde estaria meu filho enquanto eu estava no mercado;
3.3 – fui questionada sobre como educo meu filho enquanto meu filho chorava de cansaço;
3.4 – fui criticada por sair com meu filho e ir à um evento;
3.5 – fui criticada porque deixei meu filho em casa e fui à um evento;
3.6 – fui criticada porque não pude ir à reunião de pais já que estava trabalhando;
3.7 – fui questionada sobre minhas finanças e responsabilidade econômica destinada ao meu filho enquanto comprava roupas.
Eu poderia, muito sinceramente, continuar essa listagem por longas horas qualificando a minha desvantagem social, profissional e amante ao dizer que sou mãe. Mas o foco aqui é o auxilio emergencial, deixarei meus romances pra um próximo desabafo.
Voltemos: R$6632,12.
Esse é o valor bem por baixo que uma mãe deveria receber SE ela recebesse por suas funções básicas e superficiais.
Também houveram estudos comprovando que o cérebro de uma mãe com filho autista equivale ao estado de alerta do cérebro de um soldado em guerra. Não desqualificando (jamais, jamais) o trabalho sobrenatural da mãe de um autista, mas quem fez esse estudo tinha filho? Porque a sensação de uma mãe é, de fato, de estar em alerta 24h/dia – e quanto mais saudável é a criança, mais agitada ela é – estudos meus, fonte eu.
Desde a primeira linha desse texto eu já: levantei pra pegar leite e biscoito, depois água e maçã, parei pra responder porquê as galinhas d’angola dizem ‘to fraco’, parei pra olhar o desenho e driblar a minha não compreensão do que estava desenhado, parei pra ver o que estava escrito no jogo do celular, parei para ajudar ir ao banheiro e por fim, parei para cuidar de uma cabeça que tinha ido de encontro ao chão – nenhuma dessas interrupções seriam necessárias se eu não fosse mãe, veja bem, sequer a água era uma necessidade do meu corpo.
Meu trabalho além de mãe, que é escrever (ou qualquer outra atividade que eu esteja executado) está sempre em sempre atrasado uma média de três vidas.
Esse texto não é uma reclamação sobre meu filho e não deve ser utilizado retalhadamente afim de justificar qualquer atrocidade; "amo meu filho, odeio ser mãe", sabe?! É por ai, estamos todas cansadas.
Não é incalculável pagar os serviços de uma mãe, só seria exorbitante pôr em números o que mereceríamos receber por nossos serviços básicos. Não pus em conta todas as atrocidades que enfrentamos no dia a dia, nem questionei como esses profissionais (babá e serviços gerais) recebem pouco. Não está em pauta também que mães não têm férias ou feriados. Tão pouco está em questão que os benefícios não são acumulativos (auxilio e bolsa família).
Esse texto é só um desabafo calculado que busca explicar aos senhores e senhoras do meu precioso Brasil que quando alguém disser “Mas não é uma sem vergonhice uma mulher receber R$1200,00 pra não trabalhar? E ainda o bolsa-família? Só porque tem três filhos acha que pode receber mais...” nós tenhamos em vista que é uma sem vergonhice sim, uma mulher mãe receber R$1200,00 para cuidar e responder eternamente por outra vida enquanto os homens pais nem precisam ser citados nesse texto porque as famílias chefiadas por mulheres correspondem a quase 30% das famílias brasileiras de acordo com senso de 2011 – agora somos mais, eu mesma não constava no senso de 09 anos atrás.
Eu diria que nem só de pensão e auxílio vive a mulher mas, convenhamos, nem as crianças vivem só disso, graças a deus existe mãe...

Concordo com você da primeira à última linha, Brisa.
ResponderExcluir<3 Sei que você entende porque você é mãezona tbm, Olímpia! Obrigada pela leitura! <3
ExcluirSobre a pandemia o que consigo entender é que vivemos uma vida inteira sob as ordens do governo, de um grupo social, das leis vigentes, do sistema micro e macroeconômico do estado, do corporativismo, da família.
ResponderExcluirAgora surge um vírus, um possível virus proposital, e logo uma crise tbm proposital, que só tem um objetivo, escravizar o mundo e reduzir propositalmente a população. Entramos num Domínio total da população mundial. Num regime capitalismo autoritário onde não dá pra fugir, dinheiro virtual já está em vigor, usamos um celular capitalista, um computador capitalista usando um plano de internet capitalista pra usar uma rede social capitalista pra comentar asneiras contra o capitalismo. Tudo isso para sacramentar essa nova ordem mundial (já existente porém não escancarada como agora). Temos plena consciência dos nossos atos, podemos não ser consumistas exacerbados, mas vivemos com base no consumo, acompanhamos as tendências que são convenientes, tentamos ao máximo uma alternativa que não fira a natureza, sem fugir do que é ‘normal’. Uma nova ordem mundial é só um reflexo da humanidade que somos. Quer caos? Toma: - Chemtrail, Falsas Vacinas, Desmatamento, Crise Financeira, Guerra Biológica, Guerra Nuclear. Tudo isso está relacionado com um único objetivo: Começar a eliminar seres humanos a partir de pessoas burras e hipócritas como EU.
Quer ser subversivo ao sistema e não respeitar as hierarquias? Vai pro complexo.
Sempre vai existir uma nova ordem mundial, pois a partir do momento que uma não da mais certo, surge outra, já aconteceu varias vezes durante a existência humana. O que seria da realidade sem a ordem das coisas?
Este “novo normal”, como gostam de chamar, incluirá mudanças, inclusive na família, casamentos homossexuais legalizados, o divórcio se tornará extremamente fácil e o casamento monogonamico será gradualmente eliminado. Se o governo se tornar o proprietário de todos os fatores de produção, a propriedade privada será proibida. Já vai guardando seu bitcoin, litecoin, etc. Haverá uma nova e única religião (afinal, Deus não é um só???). Outras religioes serão proibidas e seus crentes serão eliminados ou presos. Por obra do homem e de sua mente, todos acreditarão na nova religião.
Seria isso tudo “evolução” e aplicabilidade?
Uma hora a destrutividade do homem vai passar.