"Saúde não se vende. Loucura não se prende."
Ultimo dia 18 (de maio) foi "comemorado" o dia da luta antimanicomial.
Manicômios, como eram chamados até 33 anos atrás, eram os tido hoje como hospitais psiquiátricos, espaços de "cuidados" aos que abrigam algum tipo de transtorno, distúrbio ou patologia psíquica. Até os anos 90, homossexuais eram considerados doentes; começo do século XX, qualquer pessoa que não pudesse cumprir carga horária de dez horas diárias de trabalho poderia ser avaliada por um psiquiatra; ter epilepsia era uma motivo de internação manicomial. Além, é claro, do hospital ser um ponto de fuga para pessoas muito pobres que viam ai a possibilidade de teto e comida.
Nesses espaços de saúde, era muito comum aplicar alguns tratamentos de forma a garantir melhoras (ou o fim do sofrimento - a morte). Lobotomia (basicamente uma intervenção cirúrgica no cérebro - e eu to sendo bem gentil aqui), correntes que prendiam as pessoas às camas 24h/dia, jaulas, choques, torturas, humilhações. Muitos eram abandonados pela família. Os instrumentos cirúrgicos não contavam com esterilização e os indivíduos nesses "hospitais", sempre superlotados, eram cobaias de experimentações cientificas (e você ai pensando que o ápice são experiencias em coelhos e cachorros, hn...).
Manicômios, como eram chamados até 33 anos atrás, eram os tido hoje como hospitais psiquiátricos, espaços de "cuidados" aos que abrigam algum tipo de transtorno, distúrbio ou patologia psíquica. Até os anos 90, homossexuais eram considerados doentes; começo do século XX, qualquer pessoa que não pudesse cumprir carga horária de dez horas diárias de trabalho poderia ser avaliada por um psiquiatra; ter epilepsia era uma motivo de internação manicomial. Além, é claro, do hospital ser um ponto de fuga para pessoas muito pobres que viam ai a possibilidade de teto e comida.
Nesses espaços de saúde, era muito comum aplicar alguns tratamentos de forma a garantir melhoras (ou o fim do sofrimento - a morte). Lobotomia (basicamente uma intervenção cirúrgica no cérebro - e eu to sendo bem gentil aqui), correntes que prendiam as pessoas às camas 24h/dia, jaulas, choques, torturas, humilhações. Muitos eram abandonados pela família. Os instrumentos cirúrgicos não contavam com esterilização e os indivíduos nesses "hospitais", sempre superlotados, eram cobaias de experimentações cientificas (e você ai pensando que o ápice são experiencias em coelhos e cachorros, hn...).
"(...) Assim como o processo do Movimento da Reforma Sanitária, que resultou na garantia constitucional da saúde como direito de todos e dever do estado através da criação do Sistema Único de Saúde, o Movimento da Reforma Psiquiátrica resultou na aprovação da Lei 10.216 de 06 de abril de 2001, nomeada “Lei Paulo Delgado”, que trata da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência. Este marco legal estabelece a responsabilidade do Estado no desenvolvimento da política de saúde mental no Brasil, através do fechamento de hospitais psiquiátricos, abertura de novos serviços comunitários e participação social no acompanhamento de sua implementação." (saude.gov.br)Compreendem? Nossa política de saúde mental é algo muito recente e muito frágil. E por quê tô citando aqui todas essas atrocidades? Porque vi no Jornal Nacional dessa semana (ontem pra ser exata) que em plena pandemia mundial e caos nacional (o Brasil ultrapassa mil mortes por covid-19 em 24h): passamos quatro dias sem Ministro da Saúde após pedido de demissão do segundo em menos de uma semana e agora temos um Ministro (da saúde) que nada entende sobre saúde e, pasmem, pra quem não viu, é um general que indicou mais nove pessoas para cargos de extrema importância e, pasmem de novo, NENHUMA dessas pessoas têm qualquer tipo de relação com a área da saúde. Enquanto outros países pensam em reabrir, cá estamos a mais de 60 dias confinados aguardando o Brasil fechar, de fato. Sem churrascos, sem festinhas, sem praia, sem corridas, sem trabalhos não essenciais, sem encontros furtivos pra transar... Não é só uma gripezinha - mas o que eles saberiam sobre isso?!
Nessa semana uma pessoa que eu acompanhava artisticamente cometeu suicídio, uma amiga foi internada e outras quinze estão tentando renovar receitas de antidepressivos & ansiolíticos (ou, convenhamos, conseguindo esses remédios com o vizinho, literalmente). O consumo de álcool entre os meus é grande, cada dia mais. Não temos leitos, não temos UTI, não temos vacina, não temos comprimidos, não temos xarope, não temos biotônico fontoura que resolva a condição de saúde mental do brasileiro de 2020. Quem não tá enlouquecendo, não entendeu - temos um general enquanto responsável pela saúde do Brasil; saúde essa que trinta anos atrás, eletrocutava com permissão do Estado.
Uns dias atrás eu ouvi muitas pessoas considerarem a Regina Duarte (assim como seus chefes e toda sua corja) como louca. Mas a loucura abrange muitos patamares e muitos vieses. A loucura é ampla categoricamente, como bem vimos acima. Nós, pessoas conscientes da situação política brasileira flertamos com a loucura; a classe artística e sanitária do país tem uma fortíssima intimidade com o que pode vir a ser a loucura, porque ser louco é ser são nessa proposta capitalista. Quanto mais "fora da casinha", mais chances você tem de continuar já que nada possível é de fato possível.
Mas em nenhum momento da história da humanidade a loucura foi atribuída a falta de caráter. Hitler não era louco. Mussolini não era louco. Bolsonaro não é louco. Eram e é fascistas, e não há manicômio que dê jeito em assassinos.
Estejamos atentos.

Brisa, que utilidade pública incrível foi essa sua abordagem, além de muito oportuna. Quero me sentir bastante à vontade para compartilhar e levar essas informações memoráveis para, quem sabe, aqueles que insistem e ver loucura, ou pior ainda, que insistem em considerar sã as ações atuais, possam pelo menos, tomar ciência ou relembrar esses fatos deploráveis e bastante significativos da nossa história. Obrigada!
ResponderExcluirOi, Rute! Agradeço imensamente a leitura e o feedback, apesar das condições que transformam esse texto necessario, né!? :/
ExcluirÉ todo nosso, pode compartilhar com quem quiser sempre que quiser :) Obg!